segunda-feira, 7 de julho de 2014

“Hours of solitude, hours of creation, hours of meditation. Solitude and meditation gave me an awareness, a perspective which I have never lost: that of solidarity with the rest of mankind. Since that time I have always proclaimed that poetry is communication, in the exact sense of that word.”
 Horas de solidão, horas de criação, horas de meditação. Solidão e meditação deram-me uma consciência, uma perspetiva, que nunca perdi: a da solidariedade com o resto da humanidade. Desde esse tempo sempe proclamei que a poesia é comunicação, no sentido exacto da palavra.
"Vicente Aleixandre"



“Um homem é o produto dos seus pensamentos. O que ele pensa é aquilo em que ele se torna” – Gandhi.

Questão:

Uma das coisas que mais sinto dificuldade com a meditação é a manutenção da prática. 

O conseguir ter todos os dias um momento para formalmente me sentar. 

Consigo ter vários momentos ao longo do dia, nos transportes, no trabalho, etc, em que consigo estar atento a mim mesmo. Mas é bem mais difícil parar tudo e dizer “agora vou sentar-me”. 

Alguma sugestão para eu lidar com isto? 


Presença natural

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Calça as sapatilhas e corre!


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Prometes? ... - Prometo!

amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico, as rodas fazem um barulho estranho, não deve ser nada mas é melhor prevenir, amanhã prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto à rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai não que não levo, 
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, vê lá tu, quando chegar com ele vê se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai não que não merece,
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório, há aquele projecto do estrangeiro para fechar, está aqui tudo perdido de nervos, não sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o miúdo e as coisas aí em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai não que não tenho,
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer, tenho tudo prontinho na minha cabeça e nada pode falhar, vamos ser ricos, é o que é, ai não que não vamos,
amo-te tanto mas hoje não estás, cheguei à hora combinada para te levar a jantar e tu não estás, o miúdo também não, deve estar no treino, deixa-me cá ligar, ninguém atende, nem tu nem ele, provavelmente deves estar a preparar alguma, sempre foste tão assim, cheia de surpresas, daqui a nada entras pela porta e dizes que me amas, ai não que não dizes,
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou,
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo.

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in "Prometo Falhar", a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.